top of page

AUTORIDADE, OBEDIÊNCIA E RESPONSABILIDADE

Updated: Sep 16, 2020

Fomos educados para a obediência ou para a responsabilidade?

Nascemos sob a alçada de uma autoridade, e assim continuamos. Autoridades essas que têm a função de nos proteger, educar e apoiar: mãe/pai, professor, empregador, estado.

Numa educação para a obediência, corremos o risco de assistir a uma rebelião à primeira oportunidade. Uma educação orientada para a responsabilidade permanece e fortalece.


É que a base da obediência é o medo, o medo das consequências, um medo que vem de fora, mas que é focado no ego: Se eu fizer isto vai haver uma consequência sobre mim. E quando o objecto desse medo não está presente, a acção muda.


Enquanto que a base da responsabilidade é a compreensão, uma compreensão que vem de

dentro e é permeada pela empatia, focada tanto em mim como no outro: Se eu fizer isto, vai haver uma consequência sobre mim e/ou sobre o outro, sobre nós. E como não é imposta por alguém externo, permanece.

Mas o verdadeiro perigo de uma autoridade que educa sobretudo para a obediência, é que leva a criança/adulto a tornar-se incompetente na avaliação das situações, buscando sempre alguém que indique o caminho, e confunde obediência com responsabilidade, agindo de forma irresponsável, sem compreensão e sem empatia.  

Em 1949, no final da segunda guerra mundial, Mirjam Valentin-Israel e Joachim Israel, no seu livo “Não existem Crianças más”, escreviam:

«Agora que o mundo está a ser reconstruído, as mudanças sociais e económicas por si só não são suficientes [...] Mesmo em estados democráticos, há um perigo latente de que as pessoas desperdicem a sua liberdade por uma segurança imaginária, que deixem um “führer” tirar delas o pesado fardo de serem elas mesmas a serem responsáveis pelos seus atos. Ou em outras palavras: através de uma educação opressora, as pessoas nunca realmente amadurecem e/ou ficam espiritualmente “crescidas”, mas buscam constantemente uma autoridade paterna. Por isso, devemos educar os nossos filhos para que eles se tornem imunes a todo o tipo de crença autoritária. Em vez de obediência incondicional e supressão das reações emocionais naturais, que são as razões mais profundas para as pessoas aceitarem teorias autoritárias, devemos colocar uma educação sensível, que desenvolve uma personalidade crítica e independente, que cria indivíduos ativos e livres, para os quais o respeito pelos direitos dos outros parece evidente, quando eles próprios são felizes e harmoniosos.»

O que mudou (ou não mudou) desde a segunda guerra mundial?



Perguntem a uma criança porque é que ela tem de colocar o cinto de segurança quando vai no carro. Uma criança educada para obedecer dirá algo como: “porque se aparecer a polícia vamos presos ou apanhamos uma multa”; uma criança educada para a responsabilidade poderá dizer “porque se houver um acidente eu estarei mais seguro”. A primeira irá usar o cinto na exacta medida em que houver a possibilidade de haver polícia por perto, a segunda, irá usar o cinto nas circunstâncias em que for necessário.

E se uma professora diz a uma criança: “ Se tiram a máscara, chamamos os vossos pais e depois vem a polícia e vão todos presos”?


Afinal, estamos a educar para a obediência ou para a responsabilidade?



 
 
 

Comments


​© 2020 por Virgínia Santos.

Orgulhosamente criado com Wix.com

 

Gratidão aos autores das ilustrações obtidas em  www.freepik.com

  • w-facebook
  • Twitter Clean

pikisuperstar

freepik

pch.vector

rawpixel.com 

makyzz

bottom of page