O TEU PROBLEMA É UM ´RELÓGIO` OU UMA ´NUVEM`?
- Virgínia Santos

- Feb 4, 2021
- 2 min read

Na década de 60, Karl Popper (filósofo britânico) observou que muitos problemas funcionam como relógios: mecânicos, finitos, previsíveis e controláveis. Por outro lado, encontramos problemas que funcionam como nuvens: infinitos, em constante mudança, imprevisíveis e difíceis de controlar.
Muitos dos desafios que encontramos pela frente são como relógios, previsíveis e controláveis. Conseguimos identificar o erro e, corrigindo esse erro, o mecanismo entra em funcionamento: problema resolvido.

Mas encontramos também problemas do tipo nuvem, que requerem uma abordagem mais sistémica. Importa compreender que quando falamos de sistemas, não se pode identificar um erro que impeça o mesmo de funcionar.
Os sistemas não têm “erros”, não no sentido lato da palavra, eles reagem e desenvolvem mecanismos de autorregulação, na busca de equilíbrio para garantir a sua sobrevivência. Donella Meadows, cientista ambiental e co-autora do livro “Os limites do crescimento”, identificou a existência de 3 componentes base de um sistema: elementos, interconexões e propósito.
Se queremos mudar a forma como o sistema funciona é importante identificar os seus elementos, compreender as interações que se estabelecem entre si e a função que estão a cumprir. Por outras palavras, importa compreender os padrões que estão em funcionamento, a forma como esses padrões regulam comportamentos e atitudes e o propósito subjacente, que justificam o seu percurso. Compreendendo esta dinâmica, poderemos então introduzir novos elementos que modifiquem estes padrões, com o objetivo de mudar comportamentos e atitudes em direção a um outro propósito.
Lembra-te que estes problemas estão em constante mutação, o que os torna imprevisíveis e difíceis de controlar. Assim, se tens um ´problema nuvem` à tua frente, não tenhas a ilusão de que o vais controlar ou conseguir resolver corrigindo uma das suas peças: afasta-te o suficiente para o observares de forma sistémica e holística, observa os seus elementos e a relação entre eles, tenta compreender a função que estão a cumprir e para onde se dirigem. Se queres ir numa direção diferente, coloca então a tua atenção nesse propósito, nessa direção, encontra a melhor forma de intervir sobre os elementos (retira, coloca, substitui), e deixa a natureza seguir o seu curso, matendo-te atendo aos sinais da direção que está a tomar. O sistema sempre encontra forma de se auto-regular.
A pergunta é: estás a contribuir ou a intervir, ao nível dos elementos, para o sistema que queres ver realizado? 


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