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SE QUERO VER A ILHA, TENHO DE ME AFASTAR DELA.


Esta semana reabriram as creches e dão-se os últimos passos na preparação da abertura das escolas. Não me faltam críticas a fazer a todo este processo. Sou contra muitas das medidas que estão a ser implementadas e algumas levam-me mesmo a respirar bem fundo e a soltar uns palavrões, confesso (não fosse eu uma mulher do norte).


No entanto:

- nas últimas semanas tenho tido oportunidade de trabalhar com equipas de profissionais que se preparam para abrir creches e jardins de infância e tenho estado em contacto com professores e direcções que se preparam para abrir as escolas;

- por outro lado, falo com amigos e acompanho muito grupos ligados aos pais e à educação e assisto a muitas das suas preocupações.

- sem esquecer que sou mãe de 2 crias que em breve regressarão ao 1.º e 3.º ciclo.


Percebo que:

a) os professores (incluindo a direcção das escolas) estão com medo do que pode acontecer com as crianças e com medo de não conseguirem controlar os comportamentos que supostamente as colocam em perigo; com medo dos pais que, pela sua diversidade de personalidades e opiniões, nunca estão na sua totalidade satisfeitos; e com medo das consequências do que lhes “vai cair em cima”, por parte da tutela e da comunicação social, se alguma coisa correr menos bem.

b) os pais estão preocupados e apreensivos em deixar os seus filhos num espaço onde não podem entrar e onde as pessoas que recebem os seus filhos se apresentam como “frias, impacientes e inflexíveis”. Dependendo da idade das crianças e do perfil de cada um, uns pais manifestam receio da falta de afecto, outros da falta de socialização, outros da falta de segurança (pelo medo de contágio).


De ambos os lados, as críticas são frequentes e acabam por reforçar ainda mais os medos de cada um. É urgente parar com os julgamentos e com a atribuição de culpa a quem está à nossa frente: estamos a criar um ciclo vicioso. É fundamental nos afastarmos um pouco das nossas convicções pessoais e dos nossos medos para olharmos para o outro com empatia e compaixão e para vermos o todo. Como se costuma dizer, só consigo ver a ilha se me afastar dela.


Não, os professores, educadores e auxiliares não são uns seres inflexíveis e frios. São seres humanos, com medos e inseguranças que procuram se adaptar a esta nova realidade, cumprindo as leis, indo de encontro às necessidades dos pais (dentro das possibilidades) e protegendo as crianças (nas suas infinitas limitações neste campo), ao mesmo tempo que procuram zelar pela sua própria saúde e pela saúde dos seus filhos, pais e outros familiaraes.

E não, os pais não são uns seres histéricos e impossíveis de aturar. São seres humanos com medos e inseguranças, que se preocupam com a educação (emocional, social e intelectual) dos seus filhos e com a sua saúde, e que têm paralelamente de se preocupar com a sua saúde e dos seus próprios pais e familiares doentes, e em pagar as contas ao fim do mês, muitas vezes sem saber se vão conseguir manter os seus empregos.


(NOTA: Como toda a regra tem uma exceção, estas afirmações não excluem que possa haver por aí uns professores frios e inflexíveis e uns pais histéricos e impossíveis de aturar. Mas são a exceção e não a regra. Reflete sobre isso e, se for o teu caso, lembra-te que estamos sempre a tempo de nos melhorarmos a nós próprios).  

Posto isto: pais, educadores, professores e auxiliares são seres humanos com medos e inseguranças que não sabem qual é o melhor caminho e vão reagindo em conformidade com as leis que se impôem e com a informação disponível que entendem ser mais fidedigna.

O medo e a insegurança que paira no ar leva-nos a todos ao modo de sobrevivência. Ativamos os nossos instintos mais básicos, reagimos mais do que agimos, e procuramos nos proteger a nós próprios e ao nosso clã. Nada de errado nisto. Faz parte. Mas queremos ficar por aqui? Queremos nos manter no modo de sobrevivência ou ir mais além na busca de crescimento e sair deste estado que nos limita e atrofia?

Abrir o coração, tanto para mostrar a nossa vulnerabilidade como para escutar empaticamente os outros e compreender as suas vulnerabilidades, é um passo importante para que os próximos tempos (com ou sem vagas de Covid19), possam ser de algum equilibrio emocional e estabilidade social.

Empatia e compaixão são palavas de ordem.


 
 
 

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